Informação para os casais
►Informação para os doadores

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DOAÇÃO DE OVÓCITOS: INFORMAÇÃO PARA O CASAL DOADOR

INTRODUÇÃO
A fecundação in vitro com ovócitos ou óvulos procedentes de uma doação anónima é uma técnica de reprodução assistida empregue há já muitos anos. A sua utilidade reside no facto de poder oferecer a possibilidade de conseguir a gestação em mulheres em cujos casos, por diversos motivos, é muito improvável, ou inclusive impossível, conseguirem-na com os seus próprios ovócitos.

As causas que poderão levar uma mulher a recorrer a este tipo de tratamento são muito variadas. Nalguns casos, esta pode ter apresentado algum tipo de tumorização nos ovários que tenha obrigado à extirpação dos mesmos. Noutras ocasiões, os ovários podem ter deixado de funcionar correctamente numa fase precoce da vida. Às vezes, o problema consiste em que os ovócitos que produzem ou são muito escassos em termos de quantidade ou apresentam uma qualidade insuficiente, não permitindo a fertilização dos mesmos ou, uma vez fertilizados, têm pouca capacidade para serem implantados no útero e darem origem a uma gravidez.

Ao longo desta exposição tentaremos explicar brevemente e de uma forma o mais simples possível em que consiste esta técnica de reprodução assistida.

EM QUE CONSISTE A DOAÇÃO DE OVÓCITOS?

A doação de ovócitos é, como já referimos anteriormente, uma técnica de fecundação in vitro em que os ovócitos procedem de uma doadora anónima. Por conseguinte, o tratamento da paciente receptora não exige a estimulação dos ovários. São-lhe apenas administrados uns comprimidos em doses crescentes da substância habitualmente produzida pelo ovário (estrogénios) para preparar o útero e possibilitar uma implantação embrionária completa. Uma vez verificado através de ecografia e análises, em particular o endométrio (pele que reveste a parte interna do útero e que constitui a base de apoio do embrião durante a gestação), que o útero está bem preparado, a paciente fica a aguardar a chegada dos ovócitos.

O tempo de espera raramente é superior a um mês ou mês e meio. É necessário este tempo de espera dado que os ovócitos não se podem congelar, devendo portanto ser utilizados imediatamente após a sua obtenção. Por este motivo, ao não se poder prever a obtenção de ovócitos antes desse dia, também costumamos recomendar o congelamento de uma amostra de sémen. Deste modo podemos evitar que o homem tenha de se deslocar urgentemente até à clínica para se poder dar continuidade ao processo.

Uma vez fertilizados os ovócitos, procede-se como em qualquer fecundação in vitro. Ao fim de 24 horas, verifica-se a fertilização dos mesmos e 48 ou 72 horas mais tarde, ou ao fim de 5-7 dias, se for necessário levar a cabo um cultivo embrionário longo, procede-se à transferência dos embriões para o útero. Se sobrarem embriões, estes são congelados para uma posterior utilização.

VANTAGENS E INCONVENIENTES DA DOAÇÃO DE OVÓCITOS

Vantagens:

· Não é necessário estimular os ovários da paciente receptora, evitando assim indisposições abdominais e o risco de hiperestimulação ovariana.
· O tratamento é fundamentalmente realizado por via oral, reduzindo a apenas uma o número de injecções.
· As taxas de gravidez são mais altas, quando comparando com outras técnicas de reprodução assistida, e situam-se na casa dos 45-62%.
· Em caso de pacientes com idade superior a 35 anos, o risco acrescido de ter um filho com síndrome de Down elimina-se, dado que a doadora tem de ser obrigatoriamente menor de 35 anos. O risco da referida síndrome está associado à idade do ovócito de origem, não à idade da mãe. Isto significa que não podemos assegurar que a criança será saudável neste aspecto, mas sim que o risco será igual ao de uma mãe com menos de 35 anos.

Inconvenientes:

· O inconveniente principal é óbvio: a sensação de “perder” a carga genética. Mas devemos ter conta que hoje em dia sabemos que não somos aquilo que herdamos, mas sim o que adquirimos daquilo que nos rodeia. Além disso, no caso dos tratamentos com doação de ovócitos, transferimos apenas um embrião de quatro células, sendo o resto proporcionado pela mãe.
· O segundo inconveniente, tal como já foi anteriormente mencionado, prende-se com o tempo de espera exigido pela necessidade de sincronização com o tratamento da doadora.

QUEM É A DOADORA?

De acordo com a legislação vigente em Espanha, é uma pergunta à qual, concretamente, não lhe podemos responder, dado que a doação é obrigatoriamente anónima, isto é, o casal receptor não pode conhecer nenhum dado sobre a doadora, nem a doadora pode conhecer nenhum dado sobre o casal receptor.

Mas, no entanto, podemos-lhe dizer que, também segundo a lei, as doadoras têm de ser mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos (não podem ultrapassar esta idade, para evitar riscos do ponto de vista cromossómico, tal como já foi mencionado). Deverá ser-lhes feita a história pessoal e familiar completa, e terão de realizar um exame físico geral e uma série de análises para confirmar que não existem doenças gerais, infecciosas, nem genéticas.

CRITÉRIOS DE SELECÇÃO DAS DOADORAS

Para seleccionar a doadora adequada a um determinado casal, utiliza-se o grupo sanguíneo e o factor Rh. Tenta-se que estes sejam compatíveis com os dos pais. Isto é, não têm de ser iguais, mas sim dar lugar a uma combinação compatível com a dos pais.

Por outro lado, tenta-se, na medida do possível, que existam grandes semelhança do ponto de vista físico.

Apesar de termos tentado ser o mais exaustivos e claros possível ao longo desta nossa exposição sobre a fecundação in vitro mediante doação de ovócitos, é lógico que poderão continuar a surgir dúvidas. Para as solucionar, não hesite em pôr-se em contacto com a nossa equipa. Teremos muito gosto em esclarecê-las. Muito obrigado.





 
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